07 livros inspiradores para quem escreve ficção

Atualizado: 5 de Nov de 2018



Primeiramente, não tenho aqui qualquer pretensão de passar uma lista definitiva das obras que todo aspirante a escritor deveria ler para dominar o ofício da escrita ou algo do gênero.


Meu objetivo com este texto é compartilhar com vocês parte da minha experiência pessoal, obras que me tocaram profundamente na primeira vez que as li e, por isso, contribuíram no meu despertar para a literatura, essa arte peculiar de contar histórias através das palavras e nos colocar no lugar do outro.


Um passaporte para outro mundo, por assim dizer.


São leituras que, até certo ponto, moldaram meu estilo narrativo, pois grudaram na memória e dela não largam mais.


Vamos à lista!


1 - O Talentoso Ripley

(Patricia Highsmith)


Acompanhamos a história de Tom Ripley, um jovem desempregado que aplica pequenos golpes. O pai de um velho conhecido lhe oferece uma viagem à Itália para tentar convencer o seu filho, Dickie, a voltar para casa e encarregar-se da empresa familiar. Na Itália, Tom afeiçoa-se a Dickie e conhece uma vida nova, despreocupada e luxuosa. Quando Dickie começa a suspeitar das boas intenções do seu novo amigo, Tom se desespera e chega a limites impensáveis para manter o recém descoberto estilo de vida.

O personagem de Ripley é a alma e o coração deste romance. Completamente amoral, não mede esforços nem se preocupa com limites éticos para alcançar o que almeja. Ao mesmo tempo, ele conserva uma ingenuidade que desperta certa empatia em nós, leitores. Uma verdadeira aula de Highsmith de construção de personagem e trama. A obra teve uma bela adaptação para o cinema, dirigida por Anthony Minghella e estrelada por Matt Damon.


2 - Trilogia Millennium (Stieg Larsson)


Esta é a famosa série bestseller, composta por Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar.

Neles conhecemos outra personagem fascinante e inesquecível, a hacker órfã e tão agressiva quanto brilhante, Lisbeth Salander. Ela e o jornalista investigativo Mikael Blomkvist embarcam em três aventuras repletas de mistério e violência, percorrendo o submundo de serial killers, políticos corruptos e empresários inescrupulosos. Dois personagens solitários, de mundos bastante diferentes, que desenvolvem uma parceria inusitada e um relacionamento bastante conturbado, com conseqüências para a vida inteira.

Larsson conseguiu costurar, com extrema habilidade, romances policiais modernos, com a tecnologia no centro da história, sem deixar de lado elementos clássicos do gênero. O primeiro livro, Os homens que não amavam as mulheres, virou um filmaço de David Fincher, com Daniel Craig e Rooney Mara, e tem também uma versão sueca.


3 - Entrevista com o Vampiro (Anne Rice)


Essa história começa com um jovem repórter entrevistando Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro por Lestat. Louis conta sua história desde o início, como um vampiro que se recusa a livrar-se das características humanas e aceitar a crueldade e a frieza que marcam sua espécie. O universo fantasiado por Anne Rice é de uma riqueza impressionante, um mundo gótico, romântico e perverso.

Essa história também foi adaptada para o cinema, numa versão badalada do diretor Neil Jordan, com Brad Pitt e Tom Cruise no elenco. O filme é ótimo e fiel à atmosfera livro, mas não se enganem; se ainda não tiverem assistido, leiam antes essa brilhante obra de Anne Rice, que carrega muito mais detalhes de trama e densidade de personagens do que a versão cinematográfica.

Mesmo havendo hoje um filão de livros de terror sobre vampiros, tenha em mente que este é um dos clássicos contemporâneos do gênero, original em sua abordagem adulta, enigmática e absolutamente fascinante.

4 - Assassinato no Expresso do Oriente (Agatha Christie)


Uma das obras mestras da rainha do mistério, que praticamente criou a narrativa policial no gênero whodunit. Publicada em 1934, talvez seja a história mais famosa protagonizada pelo brilhante detetive Hercule Poirot.

Pouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve obriga o Expresso Oriente a interromper sua viagem e parar nos trilhos. Na manhã seguinte, há um passageiro a menos: um homem é encontrado morto em sua cabine, com doze facadas. Com o trem preso na neve, cabe a Poirot desvendar este crime brutal e complexo. Todos ali pareciam ter alguma razão para odiar a vítima ou deseja-la morta. Mas quem será o culpado? Como em outras obras da autora, a inteligência da trama põe o leitor de sentidos aguçados, atento aos mínimos detalhes da narrativa, buscando elucidar, junto a Poirot, este mistério onde ninguém é o que parece. Esta, claro, também teve mais de uma adaptação para o cinema, inclusive uma bem recente, de 2017, com Keneth Branagh na direção.


5 - A Princesa de Gelo (Camilla Läckberg)


Este excelente romance confirma a atual fase de ouro dos escritores policiais suecos, como Camilla e Stieg Larsson. Depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk retorna à cidadezinha onde nasceu e encontra uma comunidade à beira da tragédia. Alex, sua amiga de infância a quem Erica não via há muitos anos, é encontrada morta, com os pulsos cortados dentro da banheira, em circunstâncias que indicam suicídio. Inconformada, Erica começa a trabalhar junto com o investigador do caso, Patrik Hedström, e um passado perturbador começa a emergir naquela cidadezinha que eles pensavam conhecer. A princesa do Gelo é um desses romances que você lê em tempo recorde, um verdadeiro page-turner, tamanho o magnetismo da história. Mesmo criando um universo amplo de personagens, Camilla garante uma individualidade e todo um espectro emocional a cada um deles, conduzindo com propriedade a trama e fechando o quebra-cabeças com maestria.


6 - A Queda da Casa de Usher (Edgar Allan Poe)


A queda da casa de Usher é um conto perturbador do escritor inglês Edgard Allan Poe, que investiga as profundezas do subconsciente e rastreia os terrores ocultos da alma humana. A melancolia, o tormento e a paixão são retratadas com a devida complexidade psicológica por um autor que compreende melhor do que ninguém a natureza humana e o que significa um estado mental decadente. O conto é narrado em primeira pessoa por um personagem sem nome. Ele relata seus dias na casa do amigo Roderick Usher, que padece de uma doença e sabe que em breve irá morrer. Há um tom premente de tristeza e melancolia, o que combina com a estação do outono, quando se passa a história, uma vez que as folhas caem e a paisagem fica nua, sombria e desprovida de cor.

Trata-se de uma novela fantástica em torno do medo provocado pelo estranhamento. Este medo gradualmente evolui para um terror, conforme este “estranho” vai ganhando dimensões mais e mais soturnas.


7 - A Casa Assombrada (Virginia Woolf)

Virginia Woolf, além de exímia romancista, foi mestre das narrativas curtas. Os dezoito contos compilados nessa antologia intitulada A Casa Assombrada, são exemplos disso. Lançada pela primeira vez em 1944, a obra traz a carga emocional e o fulgor poético característicos dos melhores escritos da autora inglesa. Com descrição minuciosa de cenários, Woolf nos guia por várias formas de pensar e sentir, provocando intuitivamente o leitor a uma autoanálise através da identificação com os personagens.

É, portanto, uma obra com incrível densidade psicológica, ainda que muitas vezes flerte com a literatura de gênero. O conto que dá nome ao livro, por exemplo, relata a existência de dois fantasmas em busca de um tesouro no sótão de uma casa, como se vivos estivessem. Não há sustos baratos nem clima de casa assombrada, como o título ilusoriamente nos sugere, mas sim a história de dois seres que buscam um significado para suas existências.