Os 20 melhores romances policiais de todos os tempos

Agatha Christie e Truman Capote

O gênero policial está mais popular do que nunca. Na verdade, romances policiais e thrillers estão superando em vendas todos os outros gêneros de ficção.


Seu sucesso é um testemunho não apenas dos escritores extraordinários que conseguiram criar tramas intricadas repletas de mistério e intriga, mas também à grande variedade de subgêneros que o compõem: desde as histórias clássicas de Sherlock Holmes até narrativas baseadas em crimes reais, como A Sangue Frio, de Truman Capote.


Aqui, os críticos do jornal inglês The Telegraph revelam, em ordem cronológica, suas escolhas das 20 maiores obras policiais de todos os tempos.



1 – A Mulher de Branco (1854), Wilkie Collins


“As mulheres podem resistir ao amor de um homem, à fama de um homem, à aparência pessoal de um homem e ao dinheiro de um homem, mas não conseguem resistir à língua de um homem quando ele sabe falar” - Escreveu Collins no primeiro grande thriller vitoriano.


2 – A Coleção Sherlock Holmes (1892 – 1927), de Arthur Conan Doyle


O ex-competidor pugilista, viciado em drogas e violinista, é o único mistério nunca solucionado nessas histórias de detetive originais, deliciosamente orquestradas e atmosféricas, ambientadas na “grande fossa onde todos os marginalizados e ociosos do Império são irresistivelmente drenados”.


3 – O Assassinato de Roger Ackroyd (1926), de Agatha Christie


Arenques vermelhos e escorregadios se encontram com pequenas células cinzentas e presunçosas neste mistério de assassinato rural engenhoso e rompedor de barreiras. A obra-prima de Christie foi inspirada por seu cunhado, que sugeriu que o criminoso fictício ideal seria uma espécie de Dr. Watson (braço direito de Sherlock Holmes).


4 – O Louco de Bergerac (1932), de Georges Simenon


O detetive mais obstinado da literatura, o comissário Maigret, está a caminho de um tranqüilo final de semana no campo, quando o comportamento peculiar de um passageiro do trem desperta sua curiosidade e o leva a uma pitoresca vila francesa aterrorizada por um maníaco homicida.


5 – The Nine Tailors (1934), de Dorothy L. Sayers


Com humor inglês seco e impecável que ajuda a torná-la a mais literária das escritoras de mistério da chamada Golden Age, o nono romance de Sayers, que apresenta o detetive da alta sociedade Lord Peter Wimsey, talvez seja seu mais engenhoso.


6 – Rebecca (1938), de Daphne Du Maurier


Uma jovem infantil de cabelos lisos se casa com um homem mais velho, misterioso e dominante, e torna-se perigosamente obcecada por sua primeira e carismática esposa, já falecida. Psicologicamente afiado, o romance foi descrito por Germaine Greer como “um exemplo superior de pornografia feminina profundamente codificada”.


7 – O Sono Eterno (1939), de Raymond Chandler


O sagaz mestre da ficção policial hardcore retrata o investigador particular Philip Marlowe em uma teia obscura de assassinato, chantagem e pornografia, enquanto “sob o nevoeiro rarefeito, a arrebentação enrola e desnata, quase sem som, como um pensamento tentando se formar à beira da consciência”.


8 – Pacto Sinistro (1950), de Patricia Highsmith


O assassinato perfeito é certamente aquele que uma pessoa sã não tem motivos para cometer. Essa é a premissa desta obra-prima noir tensa e moralmente perturbadora em que dois homens se tornam "o que o outro não escolheu ser, o eu descartado".


9 – The Daughter of Time (1951), de Josephine Tey


Excepcionalmente atual com a redescoberta dos ossos de Ricardo III, o romance de Josephine Tey começa com um inspetor de polícia entediado no hospital imaginando o último rei iorquista, tentando descobrir se ele matou os príncipes na Torre ou não. A conclusão permanece controversa em algumas partes.


10 – A Sangue Frio (1966), de Truman Capote


Sete anos depois de publicar Bonequinha de Luxo, Capote lançou este sensacional “romance de não ficção” sobre o assassinato sem sentido e brutal de um fazendeiro do Kansas, sua esposa e dois filhos. Baseado em entrevistas com a comunidade impactada pelo crime e com os assassinos, o livro praticamente reinventou a reportagem.


11 – O Nome da Rosa (1980), de Umberto Eco


"Os livros sempre falam de outros livros, e toda história conta uma história que já foi contada", escreve o filósofo italiano em seu romance pós-modernista de estréia, sobre o assassinato em um mosteiro do século 14. É uma espécie de resposta do leitor acadêmico ao Código Da Vinci.


Paul Auster e Sarah Waters

12 – A trilogia de Nova Yorque (1985 – 86), de Paul Auster


Uma astuta investigação pós-modernista nesta profunda busca literária de seu autor para o significado do eu e as origens da linguagem. “Toda vida é inexplicável”, escreve o autor, “não importa quantos fatos sejam narrados”.


13 – Louca obsessão (1987), de Stephen King


Inspirado pelo ressentimento de King dos leitores que o queriam algemado ao gênero de terror, esse thriller horripilante acompanha o romancista Paul Sheldon, preso e torturado por sua "fã número um". O verdadeiro medo, porém, é o de todo romancista: a página em branco, sem derramamento de sangue.


14 – Los Angeles cidade proibida (1990), de James Ellroy


O expansivo e violento terceiro romance na série de ficção policial americana sobre Los Angeles, auto-proclamada “Mad Dog”, acompanha três policiais - com diferentes graus de apego à justiça e à lei - sugando um dreno de “perversão audaciosa e surpreendente”.


15 – Get Shorty (1990), de Elmore Leonard


Um agiota tenta fazer sucesso em Hollywood neste espirituoso thriller carregado do diálogo inteligente que é a marca registrada de Leonard. Martin Amis disse certa vez que sua prosa "faz Raymond Chandler parecer desajeitado".


16 – Fatherland (1992), de Robert Harris


Nesse notável exemplo de ficção especulativa, Harris imagina que Hitler venceu a Segunda Guerra Mundial e, nos anos 1960, a Grã-Bretanha é um Estado-cliente governado pelo rei Edward VIII e pela rainha Wallis. Enquanto isso, um detetive em Berlim examina um cadáver que cheira a conspiração, mas isso é apenas o começo das verdades que esperam ser desencavadas.


17 – Senhorita Smilla e o sentido da neve (1992), de Peter Høeg


Na vanguarda do que se tornou um tsunami escandinavo de ficções policiais, o romance autêntico e emocionante de Høeg segue a investigação de Miss Smilla se um menino foi empurrado ou caiu de um telhado em Copenhague. As pistas a levam até a Groenlândia, em meio a um dos cenários de sexo mais peculiares das histórias de detetives.


18 – A verdadeira história do bando de Ned Kelly (2000), de Peter Carey


O guarda florestal que virou assaltante de banco ganha voz "como uma afiada ave kookaburra sobre as cercas no sol da manhã", neste romance de Carey premiado com Booker Prize. Nunca recuando da violência extrema, Carey dá vida emocional rica a uma lenda americana.


19 – Na ponta dos dedos (2002), de Sarah Waters


Atualizando as emoções decadentes do melodrama vitoriano para o século 21, a trama de Waters, audaciosa e repleta de detalhes eróticos, é tão astuta quanto sua heroína.


20 – As suspeitas de Mr. Whincher (2009), de Kate Summerscale


Em 1860, o corpo de Saville Kent, de três anos de idade, foi encontrado no lavatório dos criados da casa de campo de seu pai. Sua garganta havia sido cortada. Nesta reconstrução perspicaz que se lê como romance policial, Summerscale chama atenção para a hipocrisia moral em torno do caso.