Bate papo com a escritora Larissa Brasil


Larissa recebendo o Prêmio ABERST de Literatura por seu O Conto do Coronel Fantasma

Larissa Brasil é uma escritora que não tem medo de arriscar. Alternando gêneros e vozes narrativas, ela já publicou três contos bastante interessantes e agora prepara o lançamento de seu primeiro romance, um thriller psicológico.


Seu conto de estreia, Metros Cúbicos de Tristeza e Água Salgada, saiu em uma coletânea da Editora Oito e Meio, enquanto seu primeiro conto de terror, O Machado da Casa de Pedra, integra a antologia Continuem nos Escutando, lançada em 2018.


Nesse mesmo ano, a autora associou-se à ABERST (Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror). Com O Conto do Coronel Fantasma, um suspense sobrenatural com toques de realismo mágico que subverte o conceito de terror, ela foi finalista do 1º Prêmio ABERST de Literatura na categoria Autora Revelação.



1 - Sua escrita é bastante imagética, como na cena em que Dita abre as portas da igreja e o sol entra “se multiplicando pelo dourado do altar, projetando círculos de luz no teto e nas paredes”, e no qual “dava pra ver a poeira sendo carregada pelo vento” (O conto do Coronel Fantasma). Faz até referência ao quadro Pedaços de paraíso. Outras formas de expressão artística, como o cinema ou as artes plásticas, têm influência na sua literatura?


Sim, séries, filmes, música e artes têm muita influência na minha escrita. Gosto de pensar na cena antes de escrevê-la e sentir como a personagem se movimenta, escuta, reage, olha o mundo, os sons ao redor, e tento mostrar isso ao leitor, da forma mais direta possível. É um exercício que gosto muito de fazer, principalmente nas cenas de ação e suspense.



2 - Quem você gosta de ler atualmente e quem considera suas maiores influências literárias?


Gosto sempre de ler gêneros que estou escrevendo. Agora, por exemplo, estou escrevendo um romance policial, então consumo muitas séries, filmes e livros relacionados a temática. É uma maneira de aquecer e não sair da história.

Minhas maiores influências literárias são Jane Austen e Neil Gaiman, são escritas que me motivam muito, mesmo lendo pela décima vez o mesmo livro ainda consigo tirar algo de novo.



3 - Você está prestes a lançar seu primeiro romance, A garota da casa da colina, um thriller psicológico. O que você pode nos adiantar sobre esse livro e até que ponto ele se relaciona com seus contos anteriores?


A Garota da Casa da Colina sairá em 2019, pela Monomito Editorial. É um suspense psicológico com leves pitadas de terror, se passa no interior do Brasil. Esse traço é muito parecido com meus contos, gosto de narrar histórias em pequenas cidades, com características e personagens bem brasileiras.



4 - Como você enxerga o atual cenário literário no Brasil e quais seriam os maiores obstáculos na busca por leitores?


Com cautela e também como oportunidade. A crise é do mercado e não do leitor. Repensar o modo com se publica no Brasil é a oportunidade. Buscar novas formas de publicação como a Amazon, financiamento coletivo, plataformas de escrita tipo o Wattpad e Sweek, publicação independente, fazer seu trabalho chegar ao leitor, independente da publicação tradicional. Por outro lado, pesquisar e ficar atento ao que está acontecendo é uma forma de ter cautela. A crise cria oportunidades, mas também oportunismo. Penso que no fim, o leitor e o autor sairão mais fortes.


Acesse o site oficial da autora para conhecer melhor seu trabalho.