Trecho do livro PERSEGUIÇÃO FRENÉTICA

Atualizado: 19 de Dez de 2018


Kevin e Travis conhecem a fugitiva Chelsea


O dia havia sido cheio e ambos estavam ansiosos por descansar. Travis entrou primeiro, Kevin em seguida. Travis foi ao banheiro e já começava a tirar a roupa quando viu um vulto dentro do box. Quase contendo um guincho ou exclamação de surpresa, percebeu que havia uma mulher dentro de seu box. A moça fazia gestos enfáticos para que Travis não se assustasse e ficasse em silêncio.


Logo em seguida disse:

“Por favor, não grite nem chame ninguém, eu posso explicar, já vou embora!”

A esta altura Kevin já estava no banheiro também. Os dois olhavam a moça, estupefatos. Uma moça de seus quase 30 anos, cabelos ruivos, pele branca e queimada de sol, magra e de estatura mediana. Uma menina de aspecto tipicamente sulista, aliás muito bonita.


“Sou sua vizinha do quarto ao lado. Não sou nenhuma criminosa, muito pelo contrário, minha cabeça está a prêmio. Por favor posso explicar tudo, deem-me uma chance, eu explico tudo e já saio.”

A voz da moça passava de um tom de súplica para o tom de quase choro.


Kevin disse:

“Conte-nos tudo moça, mas seja breve, e é bom que seja convincente, pois nossa cabeça também ficará a prêmio se descobrirem que a estamos acobertando.”


“Meu nome é Chelsea McCoy, sou de Jackson, Mississipi. Minha família é uma família tradicional e poderosa na região, antigos proprietários de grandes fazendas de cultivo de algodão. Faz três dias fugi de casa. Minha vida estava insuportável. Tenho 30 anos e aos 25 meu pai arranjou um casamento para mim, com outro milionário da região. Foi um casamento forçado, não tive escolha.


Meu marido se chama Austin Baker. Ele é um crápula. Faz negócios escusos, manipula e maltrata as pessoas mais humildes da região, compra favores, compra a justiça, está sempre envolvido com prostituição e amantes e me mantinha sob vigilância constante, minha vida era um cativeiro.


Há alguns meses conheci um rapaz pelo qual me apaixonei de verdade. Conseguia encontrá-lo às escondidas, mas esta situação não durou muito. Logo Austin descobriu tudo sobre nós, mandou dar-lhe uma surra, jurou que o mataria se o visse perto de mim de novo e me aprisionou em casa. Fiquei nesta situação por três meses, meu pai se mantinha indiferente às minhas súplicas de separar-me de Austin. Não vi outra solução senão fugir e tentar a vida em outro lugar. Juntei todo o dinheiro que consegui, reunindo o que tinha em minha conta, o que consegui vendendo joias e objetos meus de valor e uma mala de Austin cheia de dinheiro que achei, provavelmente fruto de algum de seus negócios desonestos.


Tomei um trem e vim para cá, não pensando em ficar, mas pensando que seria minha primeira parada rumo a outro lugar onde recomeçaria minha vida.


Infelizmente, porém, parece que os capangas de Austin já me localizaram. Quando percebi a movimentação, fugi para o apartamento ao lado pelo parapeito, que dá para os fundos do prédio, rezando para que ninguém me visse. Por isso estou aqui em seu banheiro. Assim que a situação abrandar eu fujo daqui, prometo a vocês.”


“Está nos pedindo para ficar refugiada aqui, moça?” Perguntou Kevin em tom desafiador.


“Calma, Kevin, não podemos simplesmente lançá-la de volta aos cães de caça, temos que pensar em algo.” Disse Travis.


Kevin pôs a mão na cabeça, mais enfurecido por Travis ter deixado escapar seu verdadeiro nome. Depois pensou alto: “Como é que não mandaram revistar nosso quarto?”


“Eles mandaram, Kevin”. Disse Chelsea. “Quando ouvi o som da fechadura escapei para o parapeito de novo. Não eram mais os capangas, mas os policiais locais. Não são muito espertos, pelo que pude perceber. Fizeram uma revista rápida, remexeram poucas coisas e logo se foram.”


Foi aí que Kevin e Travis perceberam que havia algumas coisas fora do lugar.


Kevin falou enquanto observava:

“Mrs. McCoy, terá que nos deixar. Não vou pedir que faça isso agora, mas amanhã, à primeira hora do dia, pensaremos em um meio para tirá-la daqui em segurança, mesmo porque nós também teremos que ir embora.”


Travis completou: “Também temos nossos motivos para não continuarmos aqui, principalmente depois de toda esta exposição.”


“Ah, vocês também estão sob a mira de alguém?” Deduziu Chelsea espertamente. O rosto de Kevin contorcia-se de raiva pela inocência, ou pouca experiência, de Travis.

“Chelsea”, disse Travis, “meu nome é Travis e estou em uma situação semelhante à sua. Não sou nenhum criminoso, mas sou procurado em Chicago. O alarde criado em torno do seu caso aqui no hotel trouxe uma situação negativa para nós também. Provavelmente teremos de deixar a cidade, não podemos nos expor a ficar sob atenção constante da polícia. Depois de nos acertarmos com eles, se é que eles querem mais algum depoimento de nossa parte, podemos pensar em ajudá-la a escapar, não é Kevin? Não nos custa nada.”


“Oh, eu agradeceria tanto se pudessem fazer isso por mim! Posso recompensá-los regiamente se o fizerem, tenho dinheiro, lembram-se?”


Kevin não se conteve desta vez:

“Travis, não seja tolo, já entregou nossos dois nomes verdadeiros, foi tão custoso conseguirmos nos acobertar e agora você nos entrega para uma desconhecida! Não sabe se ela está dizendo a verdade! E você moça, está se colocando em risco ao confessar para dois desconhecidos que possui uma maleta de dinheiro! Se é que ainda está com você. A inocência de vocês me espanta. A única coisa que me conforta é que, por demonstrarem tanta inocência, estão dizendo a verdade. Amanhã resolvemos nossas pendências e escapamos daqui. Só não sei ainda para onde. E não sei onde a deixaremos, Chelsea.”


Foram dormir os três neste clima de relativa tensão.