Trechos do livro inédito A TEIA DA ARANHA INVISÍVEL


TRECHO 1:



“Persiga-o”, disse Adriano a Renato. “Sem dó. Pode torturar.”


“Pois não Dr. Adriano. Algo em especial que deseja que eu faça?”


Havia um sorriso diabólico no semblante de Renato. Ele adorava poder perseguir e maltratar alguém.


“Bem, faça o que quiser, mas seja cruel. Faça da vida dele um inferno. Você deve ter daqueles clientes casca, intratáveis, com exigências insolúveis e ainda por cima malcriados. Ponha-os na carteira desse Bruno”.


“Sim, Dr. Adriano, tenho alguns cientes deste naipe, até já sei o que vou fazer”.


“Ok, pois então faça!”


“Dr. Adriano, se me permite a pergunta, algum motivo em especial, para que eu possa me orientar melhor naquilo que devo fazer”?


Renato era astuto. Já tentava obter mais informações do porquê desta indisposição, já pensando em usar isto no futuro. Quem detém a informação detém o poder, pensava ele.


“Este rapaz é impertinente e não tem noção de hierarquia. Precisa dar uma posicionada nele. Além do mais quero testá-lo se merece estar aqui na Hedge AG. Quero ver se segura a onda e se dá conta do recado”.



TRECHO 2:



Na portaria estava Erica. Tinha voltado porque achava que já era hora de pegar suas coisas, algumas poucas que havia deixado na casa de Adriano. Já se sentia bem de novo para encará-lo e estava indo lá com um propósito. Imaginou que seu pouco fiel ex-namorado já estaria com outra mulher e tinha vontade de surpreendê-lo para causar-lhe um mal estar.


O porteiro quis impedir mas Erica, muito esperta, o dissuadiu de fazê-lo: “Oi Joaquim, eu sou de casa, não precisa avisar, vou só entrar e pegar minhas coisas, se ele estiver dormindo nem vou acordar”.


“Não tenho ordem para deixar ninguém subir sem avisar, Dona Erica, sinto muito."


“Mas eu não sou “ninguém”, sou de casa Joaquim, que bobagem."


“Não posso Dona Erica, são ordens do condomínio."


“Ele está com outra mulher não está Joaquim, por isso não quer deixar."


“Posso garantir que não está com outra mulher, não é por isso.”


“Mas então não vou ter surpresas? Que pena!”


“Dona Erica, acho melhor não subir, por que a Sra. não volta outro dia?”


“Mas se não tem outra mulher, Joaquim!”


“A Sra. é quem sabe, não vai gostar do que vai ver.”


Erica sabia que Joaquim estava ocultando algo, só não imaginava que em nenhum momento ele tinha mentido. Esperta que era, enquanto travava a conversação com Joaquim, tinha feito de propósito para que ele se entretivesse o suficiente olhando para seus peitos e ela pudesse arrancar sutilmente o fio do comunicador do interfone. Dito e feito, Joaquim não conseguia comunicar-se com o apartamento de Adriano.


“Engraçado, acho que não tem ninguém, deve ter saído de carro pela garagem e eu não vi”.


“Deixa eu subir Joaquim, o Adriano me autorizou, eu falei com ele por telefone”.


Erica nem esperou a confirmação de Joaquim, já foi rumando ao elevador, sabendo que Joaquim não teria coragem de pará-la. Já tinha pensado de antemão em tudo, estava com a chave do apartamento na mão e sabia que iria flagrar Adriano com outra. Só pelo mal estar, pois Adriano já não lhe devia mais nada.


Subiu pelo elevador já pensando: “Vou criar um mal estar muito grande e humilhar muito o Adriano, fazendo-o passar por um grande galinha na frente da garota. Quero só ver a cara dele”.